Gestões Inspiradoras da Bahia
Euvaldo Freire de Carvalho Luz

Euvaldo Freire de Carvalho Luz

14.05.1918 (Salvador, Bahia)
28.03.2009 (Salvador, Bahia)

“Se, de cada minuto os sessenta segundos, tu puderes tornar com o teu suor fecundos… A terra será tua, e os bens que se não somem, e o que é melhor, meu filho, então serás um homem!”

Figura 1. A Metalúrgica.

Às vezes, acontecimentos simples são capazes de alterar toda a trajetória de uma vida. No dia 9 de julho de 1932, a Revolução Constitucionalista eclodiu em São Paulo. A adesão a esse movimento na Bahia se deu a partir de greves e passeatas de estudantes,  organizadas a partir do Movimento Estudantil Ativista Pró-Revolução. Um jovem estudante de 14 anos do Colégio Gymnásio da Bahia, que viria a se tornar o prestigioso Colégio Central, decidiu aderir ao movimento. Com o fracasso da chamada revolução, esse jovem  foi não somente expulso do ginásio, como também impedido de cursar qualquer outro colégio. Essa barreira foi um divisor de águas na vida de Euvaldo Freire de Carvalho Luz, antecipando responsabilidades e lhe expondo a precoces desafios que foram  determinantes para a trajetória de vida que desse momento se derivava.

NASCIMENTO E INFÂNCIA. Euvaldo Luz nasceu na casa da sua avó Marieta, no dia 14 de maio de 1918. Morador do bairro da Graça, passou a infância com o estilingue na mão, derrubando cajás e tamarindos das árvores, batendo baba no campo de futebol do Clube Baiano de Tênis e frequentando a praia do Porto da Barra, sempre antes do amanhecer, para que não se atrasasse na chegada às aulas.

Tinha afinidade com as disciplinas de Matemática, Física e Desenho e não gostava das demais. Via como pouco proveitosos os conhecimentos derivados do estudo do latim, da história universal, da história natural e da geografia, de modo que contava com o zelo da mãe para repassar as demais matérias, sem que aceitasse dispersão, que, quando ocorria, traduzia-se em extensão do horário da banca.

Durante o estudo, não ficava alheio ao movimento das ruas, sobretudo se percebesse que operários realizavam serviços no bairro como consertos ou colocação de novas redes elétricas, mudança de postes, assentamento de transformadores, ou intervenções na linha férrea do bonde, fossem trocas de dormentes, trilhos ou fio troller. Nesses casos, a mãe se dava por derrotada e autorizava a saída do filho que, sem pestanejar, em um pulo transpassava a janela e já corria pela rua.

AS PRIMEIRAS CONSTRUÇÕES. Quando tinha apenas 12 anos, Euvaldo Luz, que tomara gosto pelo remo, decidiu construir sua própria embarcação. Comprou o material e com a ajuda de um marceneiro construiu uma catraia. Não bastante o engenho da construção, usou a sua mente, sempre inventiva, para solucionar o transporte da embarcação até o Porto da Barra. Com um pedaço de tubo e a improvisação de rodas de bicicleta para a rolagem, estava resolvido o problema.

Um ano depois, o irrequieto Euvaldo Luz foi escalado pelo pai para fazer a entrega do dinheiro da folha a um mestre de obras que cuidava da reforma de um velho sobrado da família. Identificando diversas não conformidades na gestão do empreendimento, afastou o mestre e assumiu a responsabilidade da obra. Vendo que o telhado não gerava proteção suficiente para a chuva, levantou a cumeeira do sobrado para aumentar sua declividade, executando o processo com sua já pronunciada criatividade e reduzindo os custos da obra.

Figura 2. Automóveis Packard.

SE TENHO LIMÕES, FAÇO UMA LIMONADA. Aos 14 anos, após o episódio que lhe interrompeu os estudos, Euvaldo Luz foi atrás de um emprego. Após ter a sua contratação como técnico da Servix Engenharia suspensa pelo cancelamento de um projeto do qual participaria, começou a se virar com pequenos serviços, como pintura de bicicletas dos meninos ricos, fabricação de rádios de galena e encordoamento de raquetes dos sócios do Bahiano de Tênis, a partir de equipamento que ele mesmo desenvolveu. Sempre inventivo e disposto a encarar qualquer problema ou responsabilidade a si confiada, ignorou a “anistia” que lhe permitiria concluir o ginásio e optou por continuar o seu aprendizado no que chamava Escola da Vida.

O primeiro emprego formal foi de vendedor de títulos de capitalização, a convite do seu tio Pâmphilo. A obtenção da posição, no entanto, só foi possível pela tenacidade de Euvaldo Luz. Após o convite ser aceito, passou-se mais de um mês sem a confirmação do chamamento. Resoluto, como sempre, tomou a iniciativa de dirigir-se à sede da Aliança da Bahia Capitalização. Logo descobriu que os seus 15 anos e a falta de experiência no setor foram vistos pelos diretores da empresa como inconvenientes para a sua contratação.

Na ausência do tio que viajara, conseguiu audiência com dois dos diretores franceses. A sua determinação e autoconfiança foram suficientes para que esses lhe garantissem o emprego, mas não a posição. Assumiria como subagente de capitalização e não como agente, como lhe havia sido inicialmente prometido, o que lhe levaria metade da remuneração. Com apenas três meses de trabalho, tornou-se um dos vendedores mais produtivos, passando a agente. A remuneração dobrada, conforme fora negociado, retroagiria aos meses já trabalhados. Preocupados como um rapaz tão jovem lidaria com a soma significativa de dinheiro acumulada, coube ao tio Pâmphilo a tarefa de pedir a autorização do pai de Euvaldo Luz para que lhe fosse entregue a prometida remuneração. Ouviu que àquela altura, ele já estava emancipado há muito tempo. Até automóvel já possuía, comprado com o próprio dinheiro.

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