Gestões Inspiradoras da Bahia
José “Pepe” Faro Rúa

José “Pepe” Faro Rúa

05.09.1942 (Pontevedra, Galícia, Espanha)
“O sol nasce para todos, mas nem todos têm a felicidade do sol.”

Foto 1. Panificadora da Barra – Onde Tudo Começou.

Muitos foram os europeus que deixaram os seus países nas décadas de 1940 e 1950, fugindo das sequelas econômicas da segunda guerra mundial. Na Espanha, a guerra civil que a antecedeu tornou a situação do país especialmente pior. Pepe Faro era um desses europeus e a Bahia recebeu o padeiro de braços abertos.

DA GALÍCIA PARA A BAHIA. Com a crise econômica europeia, decorrente da Segunda Guerra Mundial, muitos espanhóis migraram para o Brasil. A expectativa dos galegos que chegaram aos trópicos era de encontrar oportunidades para prosperar em um país que mal começara a se industrializar e tinha muito a construir. Para os que enfrentaram a escassez e a destruição de uma guerra civil sucedida por uma grande guerra mundial, a não experimentação de conflitos bélicos, nas últimas décadas, seria, por si, condição suficiente para a prosperidade.

A similaridade entre as culturas da região noroeste da Espanha, onde fica a Galícia, e a portuguesa é notória, a ponto de a divisão entre esses povos ibéricos ser considerada imperceptível. A exemplo dos portugueses, os galegos emigrantes demonstravam aptidão e interesse pelos ramos de pastelarias, padarias e armazéns, nos quais muitos, como José Faro Rúa, conhecido, em toda Salvador, como Pepe Faro, desenvolveram o seu negócio.

Na verdade, Pepe Faro teve o seu interesse pela Boa Terra despertado pelo seu tio Delmiro Carballo que havia chegado 11 anos antes, acompanhado do irmão José Carballo. Apesar de retratar a dureza da realidade vivida no Brasil, Delmiro não teve êxito na sua tentativa de desencorajar a vinda
do sobrinho. A falta de oportunidades na sua terra natal quando precisou entrar no mercado de trabalho não trazia alternativa a Pepe, além da emigração. O imigrante, na sua visão, é um ser que está aberto a se deslocar, de um lado para o outro, em permanentemente procura de melhores oportunidades. Para ele e outros galegos, estas estavam disponíveis aos borbotões na Salvador da década de 1950, em que muito ainda estava por fazer.

OS PRIMEIROS ANOS EM SALVADOR. Ao desembarcar em Salvador, em 1957, Pepe tinha 14 anos de idade. Deixara para trás, na sua Galícia, a família e as suas raízes que eram profundas, apesar de ter nascido ainda durante a guerra e ter enfrentado os anos mais difíceis do pós-guerra, nos quais, recorda-se, a família não tinha mais que o básico para sobreviver. Chegando ao país, sem nunca ter se deparado com uma pessoa de pele escura, até então, sentiu-se impactado pela variedade de etnias na cidade mais negra de todo o país.

Ainda sem trabalho, foi morar onde as parcas economias trazidas lhe permitiam, em uma república no bairro do Tororó, juntando-se a outros 18 moradores. Quase que imediatamente após instalar-se, foi ao encontro do que o trouxe até o Brasil: a perspectiva de encontrar uma ocupação. O primeiro emprego foi no armazém Eduardo Martinez e Cia. Buscando sobressair e chamar a atenção dos seus patrões, não colocava limites na sua jornada de trabalho que, com muita frequência, se estendia por 16 horas durante os sete dias da semana. Iniciava o expediente às seis da manhã e
deixava o armazém somente após as 22 horas. Tamanha dedicação não ficaria sem recompensa, proporcionando ao jovem Pepe seguidas promoções.

Pepe compreendia que a dedicação ao trabalho era condição necessária para prosperar, mas, sabidamente, insuficiente e, por isso, investiu na sua formação e na capacitação para a função que exercia, concluindo o segundo grau em Salvador e participando de diversos cursos de panificação.

Foto 2. Pepe Faro, André Faro e o ex-governador Antônio Carlos Magalhães.

O TRABALHO E O CRESCIMENTO EM FAMÍLIA. Pepe já trabalhava com o tio Delmiro no armazém e não tardou a chegada de Fernando, seu irmão, que veio juntar-se a eles, já no início dos anos 1960. Após alguns anos, em 1964, o trio decidiu que chegara a hora de deixar de trabalhar para os outros e abrir o próprio negócio. Endividaramse para adquirir uma padaria que ficava no promissor bairro da Barra, em Salvador, denominada, então, de Panificadora Elétrica da Barra, comprada de outro galego.

Na verdade, o ramo de padaria era um dos preferidos dos espanhóis que chegaram à Bahia em meados do século passado. Uma vez que os pães deveriam estar nas mesas das famílias soteropolitanas no início da manhã, a atividade exigia disposição para madrugar e mostrava-se pouco atrativa para os empresários locais. Os galegos, por sua vez, chegaram ao país, com o sentimento de que passavam a explorar uma terra em que havia oportunidades para os que se dispusessem a trabalhar duro. Madrugar, decididamente, não seria um obstáculo para eles.

Na década anterior, o processo de industrialização em Salvador avançara rapidamente, acarretando evidentes e significativas melhorias nas condições socioeconômicas da cidade, aumentando o poder aquisitivo dos moradores. A escolha do local foi uma aposta, já que a Barra era, àquela altura, um bairro ainda pouco habitado. Fernando foi quem a bancou, já que via naquela região da cidade uma clara tendência de desenvolvimento que acompanharia o seu entorno em plena expansão.

O galego estava certo em suas previsões. A panificadora cresceu sistematicamente após passar a ser administrada pelo trio, o que permitiu que a dívida que fora contraída para a compra do empreendimento fosse saldada em 36 meses. Como o negócio continuou a prosperar, a sociedade passou a adquirir outros empreendimentos, sempre relacionados ao setor de alimentação.

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