Gestões Inspiradoras da Bahia
José Corgosinho de Carvalho Filho

José Corgosinho de Carvalho Filho

11.01.1931 (Martinho Campos, Minas Gerais)
21.10.2015 (Salvador, Bahia)

“No passado eu assumi um compromisso muito grande de que, se um dia tivesse sucesso na vida, teria muita vontade de retribuir tudo que o governo e a sociedade me deram.”

Foto 1. Dr. José Corgosinho de Carvalho Filho.

Apesar do enorme sucesso como empresário e de ter fundado uma organização como a Ferbasa, a Fundação José Carvalho, voltada para a educação dos mais carentes, foi a verdadeira menina dos olhos de José Corgosinho de Carvalho Filho. Acumulando os títulos de engenheiro de minas, metalúrgico e civil, orgulhava-se da sua condição de educador.

INFÂNCIA E FORMAÇÃO. A cidade de Abadias, hoje Martinho Campos, em Minas Gerais, recebeu José Corgosinho de Carvalho Filho no dia 11 de janeiro de 1931. O pai, José Corgosinho de Carvalho, e a mãe, Maria das Flores tiveram ainda outros cinco filhos. A família sustentava-se com a prática odontológica, exercida pelo pai, e a agrícola, desenvolvida pela mãe. Os recursos financeiros, se não eram suficientes para uma vida confortável, garantiu aos filhos do casal o acesso a uma boa educação. Somente depois de educar os filhos, José Corgosinho de Carvalho e Maria das Flores retomaram os estudos, graduando-se, respectivamente, em Odontologia e Farmácia, ambos em universidades públicas. A formatura foi, orgulhosamente, presenciada por José Carvalho Filho.

Sempre com ótimas notas, José Carvalho foi selecionado pela Secretaria de Educação de Minas Gerais como o melhor aluno da rede estadual no curso primário, recebendo uma bolsa para estudar no tradicional Colégio Jesuíta Santo Inácio, no Rio de Janeiro. Após quatro anos, retornou para Belo Horizonte, onde concluiu o segundo grau no Colégio Mineiro. Com o propósito de se tornar engenheiro, mudou-se para a cidade de Ouro Preto, de onde retornou em 1955 com os títulos de engenheiro de minas, metalúrgico e civil.

PRIMEIROS PASSOS – A ENGENHARIA CIVIL. Encerrados os memoráveis anos de estudo na tradicional Escola de Minas e Engenharia Civil de Ouro Preto, além do conhecimento, José Carvalho carregava consigo boas recordações de seis anos de estudos, camaradagem, práticas esportivas, leituras, além de aquecidas e saudáveis discussões políticas e filosóficas. Chegara o momento de cuidar de sua vida profissional.

O seu primeiro emprego foi como engenheiro residente na Companhia Carbonífera Cambuí, no interior paranaense onde permaneceu por apenas um ano. No ano de 1956, o Brasil experimentava a euforia pela construção da nova capital e o jovem engenheiro se viu tentado a participar dessa empreitada. Assim que chegou ao Planalto Central, assumiu o cargo de engenheiro fiscal da Novacap, empresa criada com o propósito de gerenciar a construção de Brasília. Era pouco para José Carvalho.

Além do conhecimento da engenharia, o mineiro possuía uma verve empresarial que o levou a continuar a sua participação na construção de Brasília na condição de empreiteiro. A formação em Engenharia Civil lhe trouxe o sustento nos primeiros anos de atividade profissional. No entanto, José Carvalho tinha maior atração pelas suas duas outras especialidades de formação: a Engenharia de Minas e a Metalurgia. Cônscio de que as oportunidades no ramo da construção civil eram datadas, passou a construtora para um sócio e saiu em peregrinação pelo Brasil, à procura de algo novo.

Foto 2. José Carvalho recebe o título de educador do ano em 2000.

NOVAS OPORTUNIDADES. A faculdade que cursara em Ouro Preto era uma perpétua referência para si, e José Carvalho mantinha-se permanentemente em contato com os colegas engenheiros e com os mestres que tivera durante o curso. Numa das idas à cidade colonial, reencontrou o amigo Amaro Lanari Júnior, integrante do grupo, que organizava a Usiminas. Soube por ele que a usina, tão logo inaugurada, demandaria o ferromanganês médio carbono que não era produzida no país, levando-o à criação da Ferro Liga de Minas Gerais S.A. (Feliminas) para produzi-lo. O empreendimento, infelizmente, não foi para frente, já que a Usiminas, parceira no projeto, desistiu de usar o minério como elemento industrial.

Mais uma vez, a turma de Ouro Preto influenciou nos seus novos caminhos. Dessa feita, foi alertado por Raimundo Machado que o ferrocromo seria uma liga de ótimo futuro no Brasil e que no interior baiano, na cidade de Campo Formoso, era abundante e de qualidade. Instalando uma fábrica próxima à mina, produziria também o alto carbono em condições mais competitivas que a produção mineira. Sempre atento ao cenário nacional e às possibilidades advindas, apostou que o Brasil se tornaria um grande produtor de aço inoxidável e que, como consequência, a demanda de minério de cromo asseguraria o sucesso de uma planta na Bahia. Surgiu, assim, a ideia de criação da Companhia de Ferro Ligas da Bahia (Ferbasa).

Em 1960, José Carvalho aproveitou a oportunidade de estar em Brasília na mesma ocasião que o então governador da Bahia, Juracy Magalhães, e lhe expôs o seu projeto de investimento em mineração na Bahia. O engenheiro caiu nas graças do governador que prorrogou as conversas na semana seguinte, recebendo-o no palácio governamental, em Salvador. Na ocasião, constituiu-se o arcabouço da Ferbasa. A Cromita participaria do empreendimento com 5% do capital. A Ferbasa arrendaria as minas por quinze anos, que poderiam ser renovados por mais trinta e com opção preferencial de compra.

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