Gestões Inspiradoras da Bahia
August Wilhelm Suerdieck

August Wilhelm Suerdieck

23.09.1930

(Wiesbaden, Alemanha)

“Esperança de imigrante, confiança na própria capacidade, visão empresarial, histórias ouvidas em Hannover sobre as excelências do fumo da Bahia, foi a soma de tudo isso que levou aos inícios da saga da sua vida, da vida da sua gente, da vida da sua empresa”.

Figura 1. Representação da cidade de Salvador por Mulock em 1860.

August Suerdieck veio para Salvador trabalhar na exportação de fumo, posteriormente, migrou para Oiteiro Redondo, um rude arraial em formação e que, depois, se transformou na cidade de Cruz das Almas. Empreendeu a Suerdieck, um dos mais importantes  negócios fumageiros da Bahia, muito contribuindo para o desenvolvimento da região.

SALVADOR E OS ESTRANGEIROS. A cidade de Salvador, fundada em 1549, sempre foi receptiva aos estrangeiros. Sede do governo geral do Brasil até 1763 e maior centro produtor de açúcar da colônia, possuía um mercado importador e exportador de grande interesse internacional, apesar das restrições do pacto colonial. A baía de Todos os Santos e o porto de Salvador abasteciam, redistribuíam e embarcavam mercadorias para os continentes americano, europeu e africano, o que atraia os responsáveis pelas transações e os representantes das casas comerciais que punham em movimento aquele vasto circuito econômico e financeiro.

Em 1859, o engenheiro inglês Ben Mulock, autor de importantes registros fotográficos da cidade, relatou ao chegar em Salvador: “Eu nunca vi um lugar que me agradasse mais à primeira vista. Ela estende-se ao redor da baía, de forma crescente. A costa é alta e as casas erguem-se umas  acima da outra […], misturadas com bananeiras e coqueiros, tudo tão verde”.

Nos séculos XVII, XVIII e parte do XIX, Salvador era uma das mais importantes e maiores cidades da América. As sucessivas crises do açúcar e as crescentes dificuldades impostas ao tráfico de escravos redefiniram o papel da cidade, deixando de ser o centro exportador de açúcar, fumo, couros e outros produtos para se fixar como praça de comércio. Cresceu, assim, a presença de estrangeiros na cidade, sobretudo em lojas, bancos e casas comerciais controlados por ingleses, franceses e alemães.

A independência do Brasil, em 1822, ajudou a abrir o mercado brasileiro para os alemães, estreitados a partir do casamento de D. Pedro, em 1818, com a imperatriz Maria Leopoldina, arquiduquesa da Áustria, que apoiou a vinda de cientistas e artistas germânicos para a América portuguesa.

Na Bahia, a abertura do Consulado de Hamburgo em 1820 testemunhou a maior aproximação com os germânicos. Em 1827, o Brasil regulamentou as relações comerciais com a Alemanha através do Tratado Comercial e de Navegação, assinado com as cidades hanseáticas de Lübeck, Bremen e  Hamburgo, aumentando assim o fluxo de germânicos que aportavam em Salvador. Aí estava localizado, então, o principal porto brasileiro, enquanto Hamburgo era o mais importante porto alemão do ainda incipiente comércio. Os alemães primeiramente ocupavam-se do comércio do açúcar.  Posteriormente, atuaram nos negócios fumageiros. A partir de 1840, a exportação do fumo brasileiro foi quase exclusivamente destinada à Alemanha, e, por aquela época, o produto já usufruía bom conceito nos mercados de Hamburgo e Bremen.

Figura 2. Beneficiamento das folhas do fumo

A  ORIGEM E VINDA PARA BAHIA. August Wilhelm Suerdieck, nasceu em Melle, Alemanha, no dia 1º de janeiro de 1860, tendo sido batizado dois dias depois, na Igreja St. Matthäus. Seu pai, Joseph Suerdieck, era comerciante de fumos e o avô, Anton Suerdieck, tinha sido produtor de fumos.

Ouvindo que o fumo da Bahia era o melhor do mundo, o jovem August passou a desejar conhecer o “eldorado” brasileiro do fumo para charutos. Com 28 anos, depois de uma temporada em Hannover, decidiu embarcar em Hamburgo para a importante viagem para a Bahia.

Na viagem, procurou desenvolver amizade com as pessoas que conheciam ou que se dirigiam para o seu destino. Conheceu um agente da firma F. H. Ottens, que operava na compra de fumos no Recôncavo da Bahia. Assim, ao desembarcar em Salvador já estava contratado para fiscalizar o enfardamento num dos centros da região fumageira.

Figura 3. Ferdinand Suerdieck.

A COMPANHIA  SUERDIECK. Em 1892, transcorridos quatro anos de sua chegada ao Brasil, August Suerdieck criou a empresa com o seu próprio nome, a Companhia Suerdieck, em Cruz das Almas. Atuava como exportador e enfardador de fumo, dedicando-se também ao cultivo das matas de São Félix e Cruz das Almas, conseguindo, pela experiência adquirida, obter as melhores e mais finas espécies de fumo até então produzidas. Seus produtos ganharam fama na Europa, sobretudo na Alemanha. Pouco tempo depois, em 1894, a Suerdieck compra da F.H. Ottens o seu primeiro  armazém.

Em 1899, chegou à Bahia, Ferdinand Suerdieck, irmão de August, que se instala em Maragojipe, cidade em franca expansão e que, com o crescimento dos negócios da Suerdieck, atraiu a extensão das operações, cidade onde a Suerdieck edificou o seu primeiro prédio, um armazém na Praça Sebastião Pinho.

Em Maragojipe, no ano de 1905, por sugestão do olhar crítico de Ferdinand, a Suerdieck decidiu iniciar a sua produção de charutos. Os incentivos e justificativas estariam no fato das atividades de enfardamento e compra do fumo durarem, apenas, um período de seis meses, ficando o outro semestre sem atividade, além da observação dos trabalhadores prepararem charutos para a apreciação do fumo adquirido pela empresa. Adicionalmente, a cidade oferecia boas condições, com oferta de mão de obra (“charuteiras”) e rio navegável com porto natural (o que facilitava o escoamento da produção para Salvador e de lá para o exterior).

Figura 4. xposição Nacional de 1908 no Rio de Janeiro.

Figura 5. Instalações da Suerdieck em Maragojipe.

A produção de charutos consistia em projeto audacioso. O mercado era dominado por fortes concorrentes. Os desafios de prosperar eram grandes. August transferiu Ferdinand para Maragojipe, instalando, no Armazém Caijá (Largo S. Sebastião), a primeira fabricação de charutos. Toda a operação era conduzida por apenas cinco operários. O chefe era, ao mesmo tempo, escolhedor de fumo, mestre de seção e encarregado de embalagem. A qualidade do fumo e os cuidados com a produção e comercialização ampliaram os apreciadores para os charutos Suerdieck. Os clientes cresciam a cada dia. Os charutos Suerdieck conquistaram fama, em mercado com grande concorrência.

Em 1907, a produção foi transferida para edifício próprio, à Rua Macedo Costa, conhecida como Rua do Fogo, ocupando nessa época já 13 operários, sob a gerência de Carl Gerles, técnico vindo da Europa especialmente para esse cargo.

Em 1908, na Exposição Nacional ocorrida no Rio de Janeiro, a Suerdieck ganhou medalha de ouro e mais dois grandes prêmios pelos produtos expostos, além de ter sido a única empresa do Brasil que obteve o Prêmio para a Cultura e Aperfeiçoamento do Fumo. Os louros fizeram os negócios aumentarem rapidamente, com a exportação de fumos de qualidade chegando a cerca de 20 mil fardos anuais. A Suerdieck se afirmava como uma das maiores firmas exportadoras de fumo do Brasil.

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